Por que umhas Olimpiadas Populares?

A sociedade de consumo extende os seus critérios e os seus valores a cada vez mais ámbitos da vida das galegas e dos galegos, fazendo do lezer um campo especialmente fértil para a imposiçom de relaçons sociais mediadas pola mercadoria. Cada vez realizamos menos actividades que nom estejam baseadas no consumo de qualquer cousa, e esta invasom do mercado, das suas normas e dos seus templos cada vez triunfa mais cedo: entre as crianças do nosso país, a imaginaçom e os brinquedos simples substituem-se por produtos caros e complexos, e as ruas e praças, por centros comerciais. O triunfo do mercado no território do lezer ilustra-o o facto de cada vez sermos mais incapazes de divertir-nos sem gastar dinheiro.

Ao mesmo tempo, a pressom, a frustraçom, o estress ou a escasa sociabilidade que caracterizam a vida capitalista som reinvertidos no sistema através do consumo de drogas: substáncias “mágicas” e mui lucrativas graças às quais o capitalismo nos oferece a possibilidade de experimentar de forma instantánea no fim de semana a alegria, a força, a evassom e a auto-estima que nos nega e nos destrui ou durante o resto da semana, a cámbio -isso sim- de que passemos por caixa, e de que prefiramos isto à procura dos alicerces sociais e individuais da verdadeira felicidade.

Neste contexto, as alternativas que oferecemos desde os movimentos sociais nom sempre o som tanto. Amiúde nos limitamos a tingir com umha estética anti-sistema dinámicas mui parecidas àquelas nas que se apoia o sistema (consumo, insustentabilidade, alienaçom…), e em poucas ocasions proponhemos iniciativas nas que a diversom e o relacionamento social sejam realmente livres a auto-geridos.

As Olimpiadas Populares querem servir para dotar ao nosso movimento associativo dum fim de semana de encontro em torono ao desporto, exaltando os seus valores, desfrutando das suas virtudes e promovendo-o como ferramenta de transformaçom individual e social. Entendemos o desporto como jogo, como saúde, como conhecimento e desfrute do noso próprio corpo, como cultura e como instrumento de relacionamento social fora dos esquemas do mercado. Reivindicando-o em oposiçom aos valores da sociedade de consumo, afastamo-nos também da indústria e do negócio desportivos, assim como da sua exaltaçom da competitividade e do espectáculo. Defendemos um desporto participativo, consciente e  solidário, que seja espaço de encontro e de trabalho em equipa, e que contribua para fazer-nos menos dependentes e mais livres.